O ciclo do medo: CNI e 400 entidades patronais repetem contra a 6x1 o discurso que falhou contra o 13º
Da mesma maneira que aconteceu com o 13º. Direitos sempre irão “quebrar” o setor produtivo. Arte: acervo OTB
Por Paulo Campos dia em Nossos Direitos e Conquistas
EDITORIAL
Agência Trabalhador - São Paulo
Como no Brasil a história sempre se repete, mudam personagens e datas apenas, ontem (09), o conjunto do empresariado formado pela CNI - Confederação Nacional da Indústria, 27 federações estaduais, 95 associações setoriais e 342 sindicatos patronais lançou um manifesto conjunto contra o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho.
Tendo o custo como o argumento de sempre, as entidades afirmaram no documento que a mudança onerará o setor produtivo em R$ 267 bilhões por ano.
Embora o manifesto defenda o debate, a previsão do caos não é novidade. Na mesma época de 1962, o Brasil viveu momento idêntico. Naquela época, entidades patronais como a FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo aliada a economistas priviram que a criação do 13º salário seria o fim da incipiente indústria nacional, causando ainda inflação e extinção de empregos.
Mas o 13º não quebrou o país e se tornou grande motor de consumo e aquecimento econômico.
Retornando mais ainda na história a resistência aos direitos trabalhistas por vezes cruza fronteiras éticas de maneira grave. Recentemente, o deputado Marcos Pereira (REP-SP) sugeriu que o fim da escala 6x1 poderia levar trabalhadores a vício em drogas e jogos de azar, simplesmente por terem tempo livre.
Esta retórica retoma os tempos da abolição da escrevatura, quando a elite econômica da época alegava que os negros não estariam “preparados para a liberdade”, e que se tornariam vadios ou criminosos sem a tutela de seus “donos”.
O debate só é legítimo, para o setor patronal, quando não toca em seus lucros. Entretanto, diferentemente da crença na quebradeira, o histórico das conquistas trabalhistas mostra que o setor produtivo sempre prevê colapso diante de novos direitos
Mas está justamente na valorização do trabalhador o sustento do país a longo prazo.