Editorial: Mulheres devem decidir eleições 2026
No cerne do debate e esquecidas, elas sabem mais que aparentam. Arte: acervo OTB
Por Paulo Campos dia em OTB no Brasil
EDITORIAL
Agência Trabalhador – São Paulo
Paulo Campos é Vice-Presidente Nacional da OTB – Ordem dos Trabalhadores do Brasil
Neste momento de início da pré-campanhas e surgimento de novos nomes na disputa, aumentou o número de pessoas que admitem poder mudar de voto, 54% dos eleitores admitem mudar suas escolhas.
Essa volatilidade não está na esquerda. Entre eleitores de Lula, apenas 27% declararam indecisão contra 56% dos eleitores de Flávio Bolsonaro, 59% dos eleitores de Caiado e impressionantes 75% dos eleitores de Zema.
Estes votos, que poderão decidir a eleição tem dono: são majoritariamente mulheres (60% desse grupo).
A pesquisa Meio-Ideia, fonte desse texto, desvendou esse universo. As eleitoras indecisas de Lula são mulheres do sudeste, moradoras da periferia urbana e católicas, estão preocupadas com aumento do custo de vida e com o aumento do feminicídio. Elas esperam respostas concretas.
À direita, 40% das eleitoras que antes declaram que votariam em Flávio Bolsonaro, admitiram que podem mudar de posição. E, detalhe interessante, essas mulheres, diferentemente da maioria masculina deste espectro político, não seguem cegamente as narrativas de seu campo político. Elas não confiam no STF, mas não apóiam anistia, não acreditam que as mudanças acontecerão por obra de um “líder salvador da Patria” e que mudanças de verdade, nascem na sociedade.
Enquanto isso, os canditados, todos homens, seguem sem dialogar com elas e ignorando demandas reais que poderão definir o resultado.