Editorial: algoritmos e eleições
Modelo de tratamento da informação usado no Brexit pode explicar muita coisa. Arte: Acervo OTB
Por Paulo Campos dia em OTB MUNDO
Agência Trabalhador – São Paulo
Paulo Campos é Vice-Presidente Nacional da OTB – Ordem dos Trabalhadores do Brasil
Quando pensamos na saída do Reino Unido da União Européia, nem imaginamos relação com as nossas eleições, entretanto, ao se interpretar as afirmações do Diretor da Campanha em favor da saída britânica, Domicic Commings, em especial quando ele disse que “se você quer fazer progresso em política, meu conselho é contratar físicos e não experts ou comunicadores”, temos um início, um fio para a compreensão dos movimentos políticos (e especialmente suas atuações nas redes sociais) e os resultados de fidelização incondicional que a sociedade inteligente observa incrédula.
Nâo que comunicadores tenham perdido importância. Apenas passaram para segundo plano.
O pedido de Cummings aos cientistas* foi simples: me ajudem a mirar certo. E deu certo. As mensagens personalizadas e enviadas com precisão, atingem os alvos que, satisfeitas em seus desejos, se convertem. E, convenhamos, a mensagem nem precisa ser verdadeira.
A eleição de Trump, o próprio êxito do Brexit e a eleição tupiniquim de Jair Bolsonaro, são alguns dos exemplos que esta estratégia funciona muito bem.
Graças à internet, as preferências, os gostos, as atividades, o laser das pessoas puderam ser medidos e algoritmos bem feitos conseguem, com estes dados, formatar grupos que receberão mensagens “sob encomenda”.
Essa “inteligência” aliada à indústria das fakenews, convence populações sem precedentes.
A nossa missão é esclarecer, fazer com que as pessoas voltem a pensar por si. Que se tornem questionadoras das mensagens que recebem para que tenham condições de decidir por si mesmas e não por vontade de um jovem atrás de um computador.
São tempos difíceis, mas acredito que prevalecerá o bom senso e que instrumentos de controle desse tipo de manipulação sejam criados para que o espetáculo de líderes sem condições de governar, cheguem ao poder.
*Vindos das melhores universidades da Califórnia e de uma empresa canadense de Big Data AggregatelIQ, ligada a Cambridge Analytica.