Artigo - OTB pede atenção ao extremismo
Homicídio resultante de intolerância política é realidade. Foto: Vice-Presidente Paulo Campos discursa na ALERJ, acervo OTB
Por Paulo Campos dia em OTB no Brasil
Agência Trabalhador – São Paulo
Paulo Campos é Vice-Presidente Nacional da Ordem dos Trabalhadores do Brasil
Editorial - Qualquer liderança vem com responsabilidades, que aumentam à medida que a mensagem deste líder alcança maior número de pessoas. Esta máxima vale para todo tipo de líder. Desde um mestre de obras, que tem a segurança de seus trabalhadores em suas mãos, até o Presidente da República, cuja mensagem atinge toda a população.
A compreensão desta responsabilidade se sobrepõe ao debate sobre quem tem a melhor trajetória política, os melhores ideais ou a melhor plataforma de governo.
Para esta questão – da manipulação - simplesmente não importa.
Pensando sobre este assunto revendo a história humana, podemos observar que não é situação sem precedentes.
Movimentos fascistas históricos na Itália, Alemanha, Áustria, Espanha, África do Sul e mesmo no Brasil, bem como movimentos Nazistas, que acrescentam ao pacote da propaganda de ódio, ideologia racista, e mesmo movimentos comunistas extremos como o Stalinismo que promoveram o mesmo tipo de perseguição, tendo mortes como resultado.
E a questão é mais simples que parece: a diferença entre direta e extrema-direita e entre a esquerda e extrema-esquerda, e que vale também para o extremismo religioso é a mesma: a intolerância, a vontade de eliminar o adversário, a supressão da capacidade de levar um assunto ao debate e a construção da impossibilidade de aceitar posição contrária.
Analisando de maneira direta a tragédia da morte do guarda municipal Marcelo Arruda, fica claro que, se não tivesse havido milhares de afirmações do alto escalão do governo incentivando parte da população a se armar, colocando-a na direção ao ódio “à petralhada” e à coação de mentes para a falsa diretriz que a violência é meio necessário para a manutenção da democracia, um pai de família, não teria invadido a festa de aniversário de outro pai de família, para assassiná-lo na frente de seus filhos, pelo simples fato da festa ter a temática do partido que representa a esquerda no país, aos gritos de “aqui é Bolsonaro”.
É preciso que exista alternância entre os poderes. Governos de direita priorizando a industrialização, a geração de empregos, a construção de infra-estrutura e governos de esquerda, priorizando pessoas e suas necessidades, a educação, a saúde, o investimento em pesquisa, entre tantas outras prioridades. Um país cresce harmônico com estas diferenças se revezando e se fiscalizando.
Mas nenhum país precisa de extremismo. Não precisamos de armas. As urnas, que nunca apresentaram problemas, não precisam de fiscalização militar. Não necessitamos questionar as instituições que se demonstraram firmes desde a redemocratização e não precisamos de racismo, de homofobia, de misoginia ou da fome.
O Brasil não quer extremismo.
O Brasil não quer mortes.